Os anos passam e as memórias ficam como tatuagens rabiscadas no coração.
Vamos envelhecendo rápido demais e os nossos vinte anos voam como se fossem os primeiros dez.
Quando chegamos na casa dos trinta, já nem sabemos mais como foi que tudo começou.
Vivemos tanto que algumas lembranças são simplesmente deletadas do nosso sistema e muita vida que se teve já se perdeu.
Queria ainda conseguir manter meus diários. Pelo menos eram formas eficazes de lembrar quem eu fui um dia.
Me pego relendo edições de poemas e livros de quando era adolescente e penso que os meus vinte e três anos mais parecem quarenta.
Será que vivi demais antes do tempo? Será que não aproveitei minha infância devidamente? Será que eliminei etapas que eram imprescindíveis para o processo de ... amadurecimento?
Por que é isso que sinto, once in a while... que não sou tão madura quanto penso. E que minha imprevisibilidade, em algum momento, pode me atrapalhar.
Mas veja: já estou bem melhor! Encontrei uma certa estabilidade amorosa, sai da casa dos meus pais, tenho um emprego ótimo, faço a faculdade que gosto e mais um bando de coisas que fizeram de mim um exemplo para eu mesma. E por que então essa insatisfação eterna comigo? É por isso que falo do tempo, do passar dos anos e da vida. Eu o culpo por tudo. Por existir, por me obrigar a aproveitá-lo como se amanhã ele fosse embora.
Tenho muita andança por esses caminhos... esses tortuosos e injustos caminhos da vida. E minha pouca idade pesa sobre meus ombros, quando lembro que não vivi nem metade do que ainda desejo.
É... os anos passam, as lembranças ficam marcadas e constantemente voltam para assombrar um presente que acontece por acaso. Arrependimentos existem , claro. Mas não são eles que me fazem passar madrugadas acordada. São as turvas, incertas e estranhas escolhas do tempo, maldito mestre do destino, que me faz de marionete, em seu espetáculo vazio, no qual sou mais uma alma ausente.
Um comentário:
Sempre me falavam que você já tinha nascido com um espirito de adulta. Isso me intrigava um pouco , pois não queriamos atropelar o tempo com tantos sentimentos que mesmo assim você manistefou sempre!Tenho a sensação qualse sempre que parei no tempo, no tempo d adolescência bem vivida, da fase de mãe de quando vocês eram pequeninos, enfim, isso eu acedito que é vivier fielmente o tempo que o presente no permitiu.
Helena
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