Confesso que, ao longo dos anos, a vida foi ensinando à passos de formiga
e, muitas vezes, de maneiras nada gloriosas, que somos seres livres
feitos de matéria complexa e cabeça pensante.
Espíritos leves e cheios de virtudes.
Nada mais correto que se deixar viver, aproveitar as experiências,
colher aprendizado, extrair o máximo de coisas boas e, no fim,
entender que é importante deixar as coisas para trás e seguir em frente.
Por que o mínimo que podemos fazer, nessa vida louca que Deus nos deu,
é seguir em frente. Sempre.
Desapegar do outro, dos outros, da vida que se foi,
do cotidiano que se criou, das coisas nas quais depositamos expectativa,
dos sonhos que jamais realizamos, dos infortúnios, de muito do que se teve e que quase teve.
Aprendemos que se apegar é uma escolha, quase.
E que, ao passo que vamos perdendo as coisas que amamos,
vamos enxergando o desapego de maneira friamente natural.
No fim das contas, o que fica são os lugares, alguns objetos, um momento, os detalhes...
Pequenos fragmentos do que já se foi e não voltará jamais.
Desapegamos do cerne e nos deixamos lembrar ou sentir pelo pouco, o que dá sentido.
Assim, o desapego não é uma coisa boa ou ruim.
É simplesmente, como dizem os mais sábios,
a vida.
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