Dizem que, quando se está feliz, não se consegue escrever algo bonito.
Consideram bonito aquilo que toca o coração das pessoas e tal.
Acho que não importa muito se toca o próprio coração ou se existe um significado um tanto mais particular.
A verdade é que concordo com o que dizem.
Veja, por exemplo, Amy Winehouse: sofreu horrores com um relacionamento falido e escreveu o melhor albúm de sua carreira. Depois que botou silicone e se separou de vez, nunca mais escreveu uma música decente.
O mesmo acontece com Vinícius de Moraes quando diz "Que todo grande amor só é bem grande se for triste...". Ou seja, de nada adianta o amor trazer felicidade, só vai render se for tragédia.
E sobre o que mesmo todos os grandes escritores escrevem? Amor. Eita palavra maldita.
Todo mundo só sabe escrever sobre amor. Eu sou uma dessas pessoas. É uma maldição. Só pode.
Então, entro numa de ficar frustrada o tempo todo por não saber escrever algo bonito o bastante para ser triste. Por que, pela primeira vez, o amor virou um tema colorido nos meus cadernos.
Todos aquelas variações de cinza, bem nublado, bem cheio de karma, bem inverno e melancólico nada mais é do que uma gama de tonalidades sutis. Como escrever sobre tons pastéis, Senhor?
Não dá. Ninguém curte, nem se identifica. Pior: nem ficam felizes com a felicidade alheia.
Fazer o que? Continuarei escrevendo, porque isso é, praticamente, a única forma de me entender.
Mas vou logo avisando que os textos não serão bons.
Porque, sinto muito, mas estou sendo inteiramente feliz nesse momento.
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