Já era tarde, quase duas da manhã.
Marisa levantou na ponta dos pés para não acordar Mia e Julian, que dormiam em seus pés.
"Lindos..." ela sussurrou para os gatinhos.
Foi até a cozinha, bebeu um copo dágua e encostou-se na pia.
Espiava a madrugada da janela que dava para os fundos de outro prédio.
E foi quando viu, na penumbra, um homem que se arrastava parede acima.
Tampou a boca com uma das mãos, num quase grito de espanto.
"Que diabos....!" pensou.
O vulto subia a parede do prédio, pela lateral, deixando sua capa escura bater-se ao vento,
lentamente caminhando rumo à uma pequena janela, de banheiro, talvez.
De repente, ele parou.
Marisa continuava parada diante da figura, do outro lado do apartamento.
O vulto movimentou-se devagar, e virou o rosto (será que tinha rosto?).
Marisa tremeu e deu um grito agudo quando, na escuridão, dois olhos vermelhos brilharam em sua direção.
Ela correu até a cama, aonde os gatos ainda dormiam profundamente.
A respiração ofegante, a visão da criatura desconhecida escalando, os olhos sobrenaturais...
Marisa não conseguiu dormir durante o resto do mês.
E, toda noite, levantava e corria para a janela da cozinha, espiava os prédios ao redor, na esperança de reencontrar o desconhecido que a assombrava nos pensamentos.
Mas não viu nada. Nunca mais.
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