"Alô?"
"Ei, desce ai que estamos chegando pra te buscar"
"Me buscar? Pra onde?"
"Vamos no interior ajeitar umas coisas pro escritório! Vem com a gente! Voltamos ainda hoje!"
Silêncio por cinco segundos...
"Tá, tô descendo!"
A Ju tinha que estudar, além de tentar não pensar numa forma de não perder o seu grande amor. Ela estava doente, cansada, triste e com fome. Pois é, a coitada não tinha almoçado ainda.
Mas ela pensou: dane-se!
E se mandou com os amigos numa mini aventura de trabalho.
Enquanto abotoava direito a blusa que vestiu com pressa, pensava no que estava fazendo. Totalmente impulsiva e irresponsável.
E olha que ela não tem um bom histórico com a impulsividade.
Nunca dá certo, ela sempre erra.
Mas no fim do dia, ela percebeu que, dessa vez, tinha acertado em cheio.
Por que as pessoas se privam tanto de se libertar e fazer algo diferente?
Quando tudo parece estar dando errado e o que você mais precisa é de algo que dê uma mexida na sua vida e te mostre novos caminhos,
por que amarelamos diante das novas possibilidades?
A Ju nem se questionava mais...
Encostou-se com as pernas em cima do banco de trás, contemplando as plantações e o céu cião que pintava a tarde, ouvindo AC/DC nas alturas, seguido dos melhores hits de Guns n Roses...
Batucava nas coxas, tocava guitarra com os dedos no ar... imitava os gritinhos do Axel e ria das piadas dos amigos, que fofocavam ao longo do caminho.
Chegando ao seu destino, aproveitou para comer uma tapioca bem recheada, e falava de boca cheia sobre suas mais novas aventuras de amor, enquanto bebia um gole ou outro de café bem quente.
Os amigos resolviam seus problemas e ela sentou-se lá fora da Prefeitura... no jardim cheio de banquinhos, cercado de flores e coqueiros, sentindo a brisa que vinha do mar...
Os populares passavam cantando músicas animadas, cachorros vira-latas corriam no calçamento, o sorveteiro passava assobiando, o sol ia se pondo...
Entre declarações, sorrisos, comidinhas, abraços e processos, Ju sentiu que não importa o que acontecesse, enquanto ela fosse capaz de sentir, algo ainda estaria salvo.
Simplesmente porque às vezes precisamos sair da rotina,
precisamos experimentar novas coisas,
sentir certas emoções,
compartilhar momentos,
talvez para descobrir que não devemos levar tudo tão a sério,
devemos nos preocuparmos menos e sentirmos mais.
Seja pelo rock tão profundamente adorado, pelas conversas gostosas, pela companhia inusitada, pela Marisa no caminho de volta, ou pela música que lhe fora dedicada,
Ju chegou em casa feliz.
E no seu mundinho particular, esse foi um dos melhores dias de todos,
e a prova de que não custa nada se permitir voar.
3 comentários:
Era exatamente o que eu tava precisando ler. Certamente uma das melhores cronistas da atualidade. Consegue traduzir os sentimentos da maioria dos jovens, tarefa quase impossível para muitos, com poucas palavras.
Você escreve muito bem. Meus Parabéns!
Para minha sempre princesa,
Porque dissem que as mães são corujas?
A cada dia aprendo coisas incriveis com voce e sau irmão.
Da sua coruja maior
Postar um comentário