Sentir saudades é o mesmo que ter lembranças?
Parada no sinal, indo para a faculdade de manhã, pensei: porque eu penso tanto no passado todos os dias?
Não é um passado qualquer.
Na realidade, é bem específico, com nome, telefone, endereço e conta bancária.
Mas que, por um erro fatal da minha parte, se transformou em uma lembrança distante,
de dias formidáveis que vivi, na companhia de alguém que poderia transformar minha visão do mundo.
Infelizmente, peco muito por meus erros.
Nunca aprendo com eles, pelo menos não tanto quanto deveria, e acabo, como sempre, metendo os pés pelas mãos. Em outras palavras, comendo o pão que o diabo amassou.
E mastigando um pedaço desse macento pão envenenado, fico pensando... divagando sobre momentos passados, lembranças felizes, quando por um segundo eu pude me aventurar a querer largar tudo e ir embora, sem rumo, lado a lado de um amor ingênuo, puro, verdadeiro.
Não soube aproveitar.
Fui investir naquilo que já não me bastava,
quis acreditar num futuro diferente com a mesmice.
Mas tudo fruto de uma insegurança sagaz.
Então... quando o pensamento chega à essas lembranças, será que eu sinto realmente saudade?
Ou será uma nostalgia profunda? Um medo de jamais viver coisas parecidas ou de tudo cair no esquecimento?
Penso que acaba virando mais um volume para a coleção de livros póstumos.
"Tudo aquilo que não deu certo".
Bate mesmo um sentimento amargo,
e depois da sensação de voltar ao passado,
logo vem um desgosto, mas jamais um desapego.
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