domingo, 5 de abril de 2009
Ela já tinha ouvido falar de mim, me conhecia por nome e já devia ter me visto algumas vezes.
Se a tivesse que descrever em uma palavra, não sei qual usaria.
Mas acredito que a mais próxima da realidade seria: intrigante.
Não dessa forma banal e simples que muitas pessoas enxergam, mas daquela que desperta uma vontade insaciável de conhecer mais afundo, descobrir os segredos, medos e passado.
Eu queria ouvir a sua voz de perto, sentir encostar a boca, afastar os cabelos, abraçar, pegar na mão... Ah que inveja de quem podia fazer tudo isso!
Nas minhas expectativas estúpidas, acabei mergulhando e batendo com a cara na porta da decepção, mais uma vez e novamente.
Me disseram que ela não ia à festa.
E logo entristeci. Bebi mais duas cervejas e fumei alguns cigarros.
Olhando a multidão, nada parecia bom o bastante.
A vontade de ver, ouvir, pegar era maior,
o desejo de ter pra si alguém daquele jeito,
um jeito que eu não conhecia, mas que já sabia:
poderia me apaixonar.
'Quero ela' Eu dizia, e as meninas riam, dizendo que eu já estava bêbada, melhor parar.
Duas voltas na boite, mais uma passadinha pelo bar,
viro o rosto lentamente procurando sabe-se lá o que,
e dou de cara com ela.
Lá estava, emanando todas as aquelas coisas que eu não sabia explicar.
Os gestos, o mecher dos lábios, a exaltação.
Apontava o dedo na cara de outra,
fazia careta, batia o pé no chão. Brigava loucamente.
Quem era a outra? Não me pergunte...
Alguma idiota, só pode.
Eu olhava, procurava entender o que se passava.
Mas elas mudavam de lugar, saíam andando, sentavam, levantavam...
Ela chorava e, por um momento, parece que li os lábios dizendo: eu te amo.
'Droga' pensei.
Então sai pela festa, encontrei os amigos,
bebi mais um pouco, dancei.
Quando fui ao banheiro, esperando na fila enorme que se extendia à sacada,
eu a vi indo embora, de mãos dadas, abraçada
com a outra.
Não sei dizer se senti alguma coisa.
Ela era uma expectativa idealizada, desejada, esperada,
porém não realizada.
Era a minha escolha, a minha chance.
Mas eu não era a dela.
Ela quis a outra, aquela outra para quem ela, chorando disse: eu te amo.
*
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