São todos momentos de reflexão e nostalgia, enquanto procuro uma maneira mais sensata de sair dessa confusão de pensamentos.
Não consigo dormir. As madrugadas se tornaram fiéis companheiras e inspiração para meus tormentos.
Estou cansado, fadigado, com saudades...
O tempo se arrasta quando mais precisamos que ele voe. Mas eu sou suspeito para falar de tempo. Nunca nos damos bem; nunca me dei bem com nada essencial para o desenrolar natural das coisas. Mania de mudar o destino, se é que existe algum.
Daí me sento na sala, como um pedaço de comida gelada, bebo um café.
Às vezes bebo vinho ou licor, depende.
Nunca me senti tão só. Nem o cachorro me aprecia mais. Parece que fui abandonado por todos, até mesmo por mim.
Não faço a barba há meses, nem corto unhas, cabelos. Nem me olho no espelho. Como qualquer coisa, não tenho vontade de nada.
Estou cansado, fadigado, com saudades...
Todo homem acha que é coisa de mulher sofrer por amor. Eu acho que homem é capaz de morrer por amor. E é isso que me destrói: saber que, por ela, todo dia morro um pouquinho.
Minha cabeça dói, meus olhos pesam, meu corpo dormente largado na poltrona.
Não vou mais trabalhar.
Qualquer dia me jogo daqui de cima, pois meus amigos nem vêm mais me visitar. Mas estou sendo mal agradecido. Muitos vieram nas primeiras semanas; desistiram quando perceberam que eu sou um caso perdido.
Ela se foi, por isso nunca mais serei o mesmo. Nem sei, ao menos, porque partiu.
E me consome a falta que ela me faz. O cheiro doce do seu perfume, o cabelo amarrado, a nuca fina, branquíssima... Queria me casar, mas ela não sabe. Deve ter cansado de esperar.
Preciso para de pensar. Preciso reagir, mas é impossível.
Estou cansado, fadigado, com saudades...
*
Nenhum comentário:
Postar um comentário